Em maio deste ano tive a excelente oportunidade de participar do Fórum Mundial de Gestão de Empresas Familiares organizado pela HSM. Fiquei impressionado com a qualidade das palestras, o alto nível dos palestrantes e com a organização do evento como um todo. O conteúdo foi muito interessante e me instigou a começar a aplicá-lo um pouco na prática. Portanto, resolvi escrever este post e compartilhar com você o que aprendi.
O palestrante principal foi o Sr. John Davis, um consultor especialista em gestão de empresas familiares. Um fato apresentado por ele que ficou gravada na minha mente foi que, em sua maioria, as empresas familiares lucram mais e duram mais tempo que as empresas públicas. Por algum motivo, isso não era nada óbvio para mim. Sempre pensei que empresas públicas 100% profissionalizadas seriam mais lucrativas. No entanto, o que não foi surpresa é o fato de que isso dura normalmente no máximo até a segunda geração familiar.
Como envolver sua família nos negócios? Bem, foram dados muitos conselhos sobre isso. Os que considero importantes são:
- Se a família tem muitas brigas, conflitos e problemas, venda a empresa e divida o dinheiro
De que adianta passar um negócio bem estruturado para uma família desestruturada? Se a família não consegue negociar seus interesses, talvez seja melhor passar a empresa adiante para que ela não seja afetada também.
- Se a família é jovem, envolva seus membros nos negócios o mais cedo possível
- Crie um conselho familiar (envolvendo todos diretamente interessados no negócio como herdeiros) e reúna-o periodicamente para apresentar os objetivos e os números da empresa, evitando surpresas ou desentendimentos no longo prazo
Uma palestra muito interessante foi a do ex-Ministro Pedro Parente quem, após deixar o governo, tornou-se administrador da empresa/grupo de empresas RBS. O ponto-de-vista do Sr. Parente (sobrenome um pouco irônico para esta palestra) é o de um profissional bem estabelecido, de fora da família, que entrou em uma empresa familiar para administrá-la.
Ele relata que estabeleceu, desde o início, regras que teriam que ser estabelecidas para que sua participação fosse positiva. Uma delas sendo a de que ele não deveria nunca ser contrariado por um administrador da família na frente dos outros funcionários. Ou seja, ele deveria ser respeitado como presidente, independente de ser acionista da firma ou não. A meu ver, essa regra é essencial para este tipo de empreitada. Imagine a falta de autoridade que tem alguém que solicita uma atividade que não é realizada por seus subordinados porque um superior seu desabone sua relevância.
Além do Sr. Parente, outro palestrante com idéias interessantes no que diz respeito às empresas familiares foi o Professor Nigel Nicholson, da London Business School. Eis algumas pérolas da sua palestra:
- Conflitos sempre surgirão, você tem os processos para lidar com eles?
- Se não mudarmos de direção, acabaremos onde estamos indo.
- Exponha os herdeiros aos negócios familiares num estágio inicial da vida.
- Se a dinâmica negócios-família for muito complicada, venda a empresa para que ela possa continuar a existir.
- Governância muito pesada pode atrapalhar os negócios, permita que ela cresça com a companhia.
- Restaurantes que produzem boa comida têm muita comunicação na cozinha.
Com isso, encerro este post e aguardo seus comentários para elaborarmos sobre o interessante assunto que é a gestão de empresas familiares.
Idéias e Sugestões de um Jovem Executivo Paulistano
terça-feira, 2 de junho de 2009
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Quem sou eu
- Henrique Albuquerque
- Formado em Informação e Ciência da Computação pela University of California at Irvine
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